Umanizzare demiti agentes por ‘insubordinação’ após grupo exigir escoltas para entrar em celas de presídio, no AM

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Doze agentes de socialização da Humanizzare – empresa que faz a cogestão em seis presídios no Amazonas com o governo – foram demitidos por insubordinação, no domingo (23). Os funcionários se recusaram a entrar nas celas sem escolta de segurança, após um episódio de fuga de cela ocorrido no sábado (22). Segundo a empresa, os servidores receberam justa causa por “não cumprirem as obrigações de rotina diária”.

O caso ocorreu no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), situado no km 8 da BR-174. No presídio, por volta de 21h30 de sábado, um interno serrou as grades da cela 216, no pavilhão 1, para pegar dois pacotes arremessados para dentro da unidade prisional.

Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), o interno foi detido ainda enquanto caminhava para pegar os pacotes – contendo, ao todo, 10 celulares – perto da muralha.

Na manhã seguinte, a equipe de agentes da Umanizzare que assumiu o expediente exigiu escolta de segurança para entrar no presídio.

“Nós ficamos com medo de entrar. A gente precisa trabalhar, mas tem que ser com segurança. Não é o que está acontecendo. Nós nem sabíamos o que tinham nos pacotes, não dizem nada”, disse um dos servidores demitidos, ao relembrar a morte do colega de trabalho Alexandro Rodrigues Galvão, atacado e morto a facadas por detentos da unidade no início deste mês.

“Depois da morte do Alexandro, a Seap prometeu que nós teríamos escolta diária de agentes da Coordenação do Sistema Penitenciário (Cosipe) dentro do presídio, mas isso só aconteceu nos três primeiros dias. No primeiro foram seis, depois foram quatro, depois foram dois e depois ninguém”, afirmou.

Na ocasião que resultou na demissão em massa por justa causa, o ex-funcionário, que não quis ser identificado, disse que o grupo reivindicou segurança, mas, ainda assim, seguiu o expediente até as 17h.

“Fizeram a gente trabalhar até 17h e, quando não tinha mais atividade no Compaj, que as refeições já tinham sido entregues, foram demitir o pessoal. Nós somos agentes de socialização. Não temos escolta. Imagina eu e mais três agentes abrindo uma cela com 22 presos sem nenhuma segurança. Dá medo”, lamentou.

Ele citou ainda a atuação de agentes em atividades extras, que não competem à função de agente de socialização, como algemar e escoltar presos, fazer abertura e fechamento de celas, além de atuarem diretamente durante revistas na unidade prisional. Ao G1, a empresa informou que os agentes sociais não realizam atividades como abrir ou fechar celas, escoltar presos ou algemá-los.

Em nota, a Umanizzare disse ainda que os colaboradores foram desligados da empresa “por questões de ordem administrativa ao não cumprirem as obrigações de rotina diária”.

“A empresa esclarece que, dentro do seu papel na gestão conjunta da unidade prisional, cabe a execução das atividades-meio que mantêm a operação plena do sistema, dando todo o suporte e atendimento a Seap na execução da limpeza, conservação predial, manutenção dos equipamentos, entrega da alimentação (café da manhã, almoço e janta), estrutura disponibilizada aos apenados e assistência material, incluindo lavanderia, rouparia, kits de higiene pessoal entre outros”, diz trecho de nota.

Sobre a fuga de cela e os pacotes arremessados para dentro do presídio, a Seap disse que a cela serrada já foi soldada e a direção do Compaj vai apurar as circunstâncias em que a fuga ocorreu.

O detento e outros nove internos que estavam na mesma cela foram encaminhados para área de isolamento da unidade prisional e serão submetidos ao conselho disciplinar, de acordo com a Secretaria.

Na tarde desta terça-feira (25), a Seap se manifestou sobre o tumulto causado pelos servidores demitidos e negou a ausência de agentes da Cosipe ou do diretor no momento em que o grupo se recusou a entrar na carceragem do Compaj.

 

Fonte: G1/AM