SINGEPERON rebate declarações de gerente regional da SEJUS sobre fuga em massa no presídio de Ji-Paraná

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Não é de hoje que a Secretaria de Estado da Justiça – SEJUS faz declarações infelizes sempre tentando responsabilizar os policiais penais quando há fugas. Lamentavelmente é a única instituição de segurança que denigre a imagem de seus servidores.

Um caso recente envolve o gerente regional do Sistema Prisional, Fred Barbosa. Em entrevista à imprensa nesta sexta-feira (14), ele informou sobre a fuga dos 28 apenados, e teve a audácia de dizer que a fuga foi falha humana. Disse ainda que o caso está sendo investigado pela Corregedoria Geral da SEJUS.

Fatos como esse são lamentáveis e entristecem toda uma categoria, que tem levado o Sistema Penitenciário nas “costas”. Contudo, a Secretaria ao invés de valorizar esses servidores, prefere tentar denegrir a imagem.

O questionamento que se dá é: Qual o interesse em denegrir a própria classe?

Vale lembrar que os detentores de cargos administrativos na SEJUS, são policiais penais, os quais conhecem muito bem a realidade e as precariedades dos presídios.

Mesmo sendo conhecedores das deficiências no Sistema e das condições de trabalho desumanas, fazem “vista grossa”, à omissão e a inércia do governo. Mas, isso não causa surpresa ao Sindicato e aos servidores, pois interesses escusos são primordiais nesta gestão da Secretaria.

Falha humana será? Contra fatos não há argumentos

Fred Barbosa disse que houve falha humana, por isso houve a fuga. Mas, por que ele não revelou na entrevista a real realidade do presídio? Na unidade existem em média 300 presos, para 12 servidores por plantão, sendo 09 homens e 03 mulheres, 01 guarita externa e 01 interna, fazendo assim “vista grossa” para a realidade da unidade.

Além desse erro gravíssimo praticado pelo Estado, a unidade tem uma estrutura precária, onde os apenados cavam túneis e fazem buracos nas celas com facilidade.

Foi apurado também que, no período noturno a escuridão toma conta, por não haver iluminação no presídio. Os servidores contam com a iluminação articificial, ou seja, com a lua – se houver uma lua cheia a visão fica melhor, mas quando não há, a iluminação fica precária, prejudicando a segurança na unidade prisional.

Guaritas abandonadas

A além da estrutura arquitetônica em péssimas condições, falta de iluminação e efetivo precário, o presídio conta com uma guarita apenas de enfeite. A guarita que era para ser de segurança sempre fica abandonada. Depois que o Estado retirou todos os policiais militares das guaritas, todos os presídios ficaram sem a segurança externa. Com isso, tem facilitado a fuga em massa e a entrada de materiais ilícitos para dentro das unidades.

Foram várias cobranças do Sindicato ao governo do Estado para que providenciasse a segurança externa das unidades prisionais, além disso, há várias ocorrências dos servidores relatando a precariedade que isso tem causado às unidades prisionais.

Estado não cumpre as leis e prefere culpar os servidores

O Estado de Rondônia foi condenado pelo Tribunal de Contas Estadual à cumprir o quantitativo mínimo de 05 presos para um policial penal, conforme dispõe o art. 1º da Resolução nº 1/2009 do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP).

No processo nº 03390/17 – TCE-RO, na época foi dado ao então secretário de Justiça Marcos Rocha, hoje governador do Estado de Rondônia, o prazo de 180 dias a partir de 08 de março de 2018, para apresentar um plano de ação quanto ao efetivo, para o enquadramento à proporção ideal de 01 policial penal para 05 presos, no entanto, até hoje não houve nenhuma mudança.

Desta forma, o SINGEPERON repudia veementemente a postura do gerente regional Fred Barbosa, pois é conhecedor da realidade vivida pelos servidores, e preferiu omitir a realidade e crucificar toda sua classe, para simplesmente agradar os seus superiores.

Confira o vídeo abaixo. A escuridão é tão imensa que não dá para enxergar nada. É lamentável a estrutura e falta de pessoal para manter a segurança de um presídio onde se encontram presos da mais alta periculosidade. Quando fogem, ainda querem culpar os servidores.